segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dorival Caymmi (30/04/1914 - 16/08/2008)

Velório

Uma incelença
Entrou no paraíso
Adeus irmão adeus
Até o dia de juízo
Adeus irmão adeus
Até o dia de juízo



Dorival Caymmi - Caymmi e o Mar (1957)


























O Vento



Vamos chamar o vento...
Vamos chamar o vento...

Vento que dá na vela
Vela que leva o barco
Barco que leva a gente
Gente que leva o peixe
Peixe que dá dinheiro, Curimã

Curimã ê, Curimã lambaio
Curimã ê, Curimã lambaio
Curimã

Curimã ê, Curimã lambaio
Curimã ê, Curimã lambaio
Curimã

Vamos chamar o vento...
Vamos chamar o vento...

Vento que dá na vela
Vento que vira o barco
Barco que leva a gente
Gente que leva o peixe
Peixe que dá dinheiro, Curimã

Vamos chamar o vento...
Vamos chamar o vento...



























Caymmi - pintura (1954) do mestre e amigo Silva Costa

O Mar



O mar quando quebra na praia
É bonito é bonito

O mar pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar

O mar quando quebra na praia
É bonito é bonito

Pedro vivia da pesca
Saía no barco
Seis horas da tarde
Só vinha na hora do sol raiá

Todos gostavam de Pedro
E mais do que todas
Rosinha de Chica
A mais bonitinha
E mais bem feitinha
De todas as mocinha lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite
Não veio na hora do sol raiá

Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
Que endoideceu

Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
Morreu morreu morreu oh...

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito...

3 comentários:

Nando disse...

Que trabalho maravilhoso, Helô!
Onde mais se poderia encontrar tantas imagens e tantas canções de doce lembrança, e, para ficar num só e ótimo exemplo, o mais emocionante dos cantores cariocas que foi Mário Reis e sua ainda mais emocionante interpretação de Jura, que eu estou ouvindo agora?
Por essas e outras é que eu adoro Minas Gerais e seu povo generoso, capaz de amar tanto outras terras e outros povos.
Quando eu for poeta (eu tenho 56, mas ainda tenho esperanças; sem querer me comparar, Picasso disse um dia que levou 50 anos para aprender a pintar como criança) eu vou fazer um poema com um verso mais ou menos assim: "Sempre que caio em ti, caio em mim, Minas Gerais."
Já agradeci ao Gravatá por ter caído aqui.
Muito sucesso!

Anônimo disse...

Heloise,
eu tb cheguei aqui através do Gravatá e fiquei muito bem impressionado. Parabéns pelo seu belíssimo trabalho.
Me deu até vontade de copiar a sua apresentação e colocar tb no meu bloguinho a frase:
"MINEIRO APAIXONADO PELO RIO E PELA BOA MÚSICA"!
Vou aproveitar muito isso aqui;
total afinidade...
olney
http://olneyfig.blogspot.com

Adelino disse...

Helô, observo que pelo menos comigo acontece um fenômeno: somente quando desaparece um compositor é que ficamos sabemos através dos retrospectos musicais de suas vidas que determinadas canções que antes achávamos tão maravilhosas eram de autoria deles. Fiquei surpreso ao saber Caymi autor de algumas delas. E que canções!!!
Beijos